Guerra no Facebook

Guerra no Facebook

“Waltinho, a Heleninha Seabra postou uma foto dela com o Marianinho em Punta. Devo reagir?”

“Claro, Vivi! Põe aquela nossa sob o sol de Ibiza”.

“Pô, mal postei, e ela contratacou com uma do casal em Paris, no saguão do Ritz”.

“Coloca aquela da gente em Côte, rindo muito, acompanhados dos Ferraz e dos Marcondes. Vamos arrasar com a Heleninha!”

“Não vai ser fácil, não, querido, ela parece estar preparada com um verdadeiro arsenal. Acabou de colocar uma foto deles entrando no helicóptero dos Abuda. O que você sugere?”

“Tem uma ótima nossa, sentados sorridentes no jatinho dos Mansur, bebericando Cristal…põe essa!”

“É acho que isso ela não esperava. Agora se enrolou. Não postou mais nada! Acho que vencemos!”

“Um vitória com sabor de mel, Vivi”

“Peraí, não podemos comemorar! Ela acaba de postar uma foto do Marianinho internado no Einstein, sendo atendido pelo Dr Zeballos. Agora a Heleninha jogou pesado…”

“Vamos responder! Lembra quando o Dr Khallil me operou no Sírio Libanês? Tem uma foto ótima, em que estou abraçado com ele. Põe essa!”

“Caramba, a Heleninha não dá trégua, mal postei a sua no Sírio, ela colocou uma bem antiga em que o casal está na piscina do Copa com o Jorginho Guinle…”

“Bem já que eles partiram para reminiscências, posta a foto em que nós estamos cavalgando na fazenda dos Mattarazzo…”

“Pronto, vamos ver se agora ela desiste…”

“Chocante! Eu não acredito no que estou vendo! A Heleninha perdeu as estribeiras, colocou foto do Marianinho pelado, com uma enorme ereção! Enlouqueceu!”

“Deixa eu ver, Vivi…Pô isso é uma tremenda montagem! Vê lá se o Marianinho tem um equipamento desses! Repito, é uma montagem grosseira!”

“E agora, Waltinho, desistimos?”

“Claro que não! Espere um pouco, vou apelar também…”

“Pronto, coloquei uma foto no desktop. Posta essa!”

“O que é isso, Waltinho? Você também pelado? E com um descomunal membro, que eu sei que não é seu? E pior, pertencente a algum afro-descendente? Como vou postar isso, sendo você branco e o pinto negro?

“Posta e coloca uma legenda explicando que sou descendente da família real britânica por parte de mãe e da família real angolana por parte de pai”

 

 

 

 

A felicidade tem nome

A felicidade tem nome - Didi

Clô guarda um segredo precioso em casa. Algo que qualquer mulher na face da terra gostaria de ter. Por isso ela faz cara de paisagem quando se reúne com as amigas e essas começam a reclamar de seus pares.

Ontem, o excelente profissional da indústria farmacêutica Rubão e sua simpática esposa Teteca, abriram as portas de sua magnífica mansão para receber quatro casais amigos, em torno do aniversário do anfitrião.

Os homens, como sempre em atitude machista, optaram por se reunir na sala de TV para assistir à luta de vale tudo entre Gorilão e Mastodonte.

As mulheres ficaram no salão, bebericando vinho. E mulher, sabe como é, fica logo alegrinha sob os efeitos de Baco e não demora muito prá se soltar. E assim, em pouco tempo, o papo enveredou pelas peculiaridades de alcova.

Estavam presentes além da Teteca, a Sukiami, esposa do alto executivo Nanaka, Arléia, mulher do juiz Célio, Samira, casada com o empresário Alec e Clô, esposa de Dimanche, ex-diretor de multinacional, hoje desfrutando dos prazeres proporcionados por uma robusta aposentadoria.

Quem começou foi a Arléia:

“Não sei se vocês têm algum problema na cama, mas, eu, como não faço terapia, vou aproveitar a nossa amizade para desabafar. Depois que passou a ser chamado de Meritíssimo Gato, o narcisismo tomou conta de Célio que só quer fazer amor, na frente do espelho. Tudo bem, não haveria problema, poderia até ser um aditivo erótico se não fosse o fato de que ele fica o tempo todo com o rosto virado, admirando a própria imagem. Já teve a cara de pau de ajeitar o cabelo no meio de uma transa. É claro que, nessas circunstâncias, eu fico a ver navios”.

“Olha”, aparteou Samira, “realmente sua situação não é nada fácil, mas todas temos nossos problemas. O Alec, por exemplo, é muito autoritário, um verdadeiro ditador. Agora incorporou de vez e só quer transar vestido de general. É ridículo vê-lo saindo do banheiro, todo uniformizado, inclusive de quepe, ordenando que eu me dispa. Poxa, eu gosto de carinho, de preliminares. E o pior é que o negócio está demorando muito prá levantar e cada vez mais rápido prá descer. É difícil, viu…”

“Bem”, aparteou Sukiami, “quando eu me casei com o Nanaka, já sabia que o dote oriental não era dos mais portentosos. Mas parece que com a idade, diminuiu mais ainda, está minimalista demais!”

“Olha, amigas, meu problema é um pouco parecido com o da Samira, só que sem o uniforme de militar. Pra subir, o Rubão está cada vez mais parecido com o Barrichello, mas prá descer, ele vira o Schumacher. Eu ainda nem comecei e ele já terminou”.

O papo continuou com mais uma ou outra reclamação, mas, como a Clô não se manifestava, as amigas ficaram incomodadas e Samira resolveu falar:

“Querida, pelo visto você não tem nada a declarar ou a reclamar…”

A principal característica de Clô sempre foi a discrição mas, dessa vez, movida por meia dúzia de taças de vinho acabou por revelar, com a voz ligeiramente pastosa, o segredo até então guardado a sete chaves:

“Amigas, Dimanche consegue ereções mais rápidas do que um raio e permanece em estado de alerta, o tempo que a gente quiser, seja seis ou sessenta minutos. Podemos fazer amor cinco, dez, vinte vezes num dia…”

As amigas ficaram embasbacadas, sem conseguir pronunciar uma só palavra. Depois de intermináveis minutos, a própria Clô quebrou o silêncio:

“Bem, como vocês são as minhas melhores amigas, vou lhes contar um segredo: a felicidade tem nome e se chama Didi”

“Didi?”, falaram todas ao mesmo tempo.

“Sim, amigas, isso mesmo! Ele surgiu quando Dimanche começou a ratear, insistindo em permanecer em estado de flacidez profunda! Daí, como que por milagre, surgiu Didi, um chip de avançada tecnologia desenvolvida pela Nasa, implantado em Ferraço (apelido carinhoso do agora infalível pinto de Dimanche, sugerido pela própria Clô, em momento de euforia, para orgulho do maridão), movido a bateria e acessado por um poderoso controle remoto, que funciona a até 200 km de distância do usuário.

“Puxa, que máximo! Então o Dimanche tornou-se o homem dos sonhos de todas as mulheres!”, exclamou Arléia.

“Realmente, amiga, mas é preciso ficar atenta, pois pode haver dois problemas: a bateria acabar no meio da transa, ou sumir o controle remoto. Outro dia o esquecemos na casa de meus pais, em Guaratinguetá, a mais ou menos 130 km daqui. Quando bateu o tesão, o jeito foi pedir que mamãe ficasse operando o controle de lá. No início foi caótico, ela não sabia manejar aquilo, e Ferraço ficava subindo e descendo sem parar. Depois ela acertou a mão e acabou dando tudo ok. Foi uma loucura!”

“Fantástico, Clô! Também queremos um Didi para os nossos maridões!”

“Vou lhes passar o telefone do Dr Goldfinger, o urologista do Dimanche que, em três consultas, opera o milagre. Depois, quando todos já estiverem devidamente chipados, vamos comemorar com uma big festa, o fim da angústia, da ansiedade, do mau humor e da depressão de vocês, minhas queridas amigas! Viva o Didi!”

“Viva a felicidade!”, gritaram todas.

Consultório sentimental

Consultório Sentimental

 Responsável: Sexóloga Abbddas Boccattus

Prezada Dra Abbddas,

Embora ainda não tenha completado cinqüenta anos, sou mãe, avó e divorciada.

Casei-me muito jovem e até hoje não sei ao certo se valeram a pena os quinze anos de matrimonio. Muitos problemas e poucos orgasmos. Depois tive vários relacionamentos, nenhuma grande paixão e a melhor coisa que me aconteceu foi quando cheguei à conclusão de que não existe príncipe encantado. Nesse momento relaxei e passei a curtir a vida sem ilusões. Até porque, encontrar um relacionamento legal está muito difícil. Não sei se eu é que sou esquisita e não consigo achar um homem normal. Porém, veja se eu não tenho razão: você conhece o cara, começa bater papo e logo ele começa a contar vantagem, procurando me convencer, disfarçadamente, que eu estou diante da pessoa mais incrível do mundo e que deveria sentir-me honrada com tamanho privilégio. Cada um deles com seus “fantásticos predicados”. O Virgilio me diz que é maratonista, um super homem. O Orlando é gênio do mercado financeiro, ganha dinheiro como quem estala os dedos, o Paranhos é poeta e seu coração bombeia flores e mel, o Venâncio é socialista, irônico, tem a grande solução para os males de nossa sociedade doente, o Lima só usa camiseta regata, exibindo o enorme tubarão tatuado no braço musculoso, como se fosse um sinal de testosterona máxima, com ereção 24 horas.

Já o Marlon acha que a vida é uma grande cerveja e o Pierre passa o tempo todo ajeitando a tiara, nos seus longos cabelos cacheados.

Mas o motivo de estar lhe escrevendo, Dra Abbddas, é que faz um mês eu conheci o Arquimedes, um cara muito legal, executivo de multinacional, solteiro, cinquenta anos, simpático, gentil, sensível, educado, culto, uma companhia muito agradável. Tudo ia muito bem, até que, após uma romântica noite de queijos e vinhos, decidimos curtir nossa primeira noite de amor. Quiqui, nome carinhoso com que o chamo, estava quase bêbado quando chegamos ao apartamento dele e que eu ainda não conhecia.

Foi aí que começaram as coisas estranhas: fotos antigas de uma mulher espalhadas por toda a sala, duas em dois grandes quadros pendurados na parede e mais quatro, em porta-retratos sobre mesinhas.

Perguntei pra ele quem era e Quiqui, com voz pastosa disse que se tratava de Da Mercedes, sua mãe e grande paixão de sua vida. Falou que era edipiano assumido, mas que jamais tivera algo com Da Mercedes porque, “infelizmente ela sempre repeliu minhas investidas”.

Mesmo um pouco chocada, mas anestesiada pelos efeitos do álcool, acompanhei-o ao quarto, onde, sobre a mesinha de cabeceira ao lado da cama de casal, repousava uma foto sorridente de sua amada genitora.

Quiqui me deu um baby doll com cheiro de naftalina e um enorme M bordado do peito para vestir. E começou a me chamar de Mercedes. Apavorada, eu não sabia o que fazer, mas a sorte estava comigo porque, ao voltar do banheiro, constrangida, usando o tal baby doll, vi que Quiqui apagara e dormia a sono solto.

Escapuli rapidamente, peguei um taxi e fui pra casa.

Desse dia em diante, Quiqui me liga todos os dias, querendo sair. Devido ao porre, ele não se lembra de nada do que aconteceu naquela noite e eu fico dando desculpas para recusar seus convites. Mas, a verdade é que gosto dele, de estar com ele, não sei o que fazer. Por isso estou recorrendo à sua conceituada opinião, Dra Abbddas.

Marlene Caldoverde, 49 anos, Maringá (PR)

Cara Marlene,

O seu caso é de simples solução: de um lado você tem homens imaturos, adoradores de seus próprios egos e com os quais não sente vontade de se relacionar. Do outro tem o Arquimedes. Você sabe que o mercado está ruim, não dá para ficar exigindo muito. Então, minha querida, se você não tem nada contra a letra M ou a existência platônica da Mercedes, a qual já mostrou enfaticamente que não quer nada com ele, vá em frente prá ver o bicho que vai dar. Vai que Quiqui se revela uma grata surpresa sob os lençóis…

Sexóloga Abbddas Boccattus

Alec no Spa de Sorocaba

Alec no Spa de Sorocaba

Para quem ainda não conhece Alec e Samira, trata-se de um casal diferenciado, ambos profissionais bem sucedidos, sendo ela uma dentista com clientela situada nas altas rodas da sociedade paulistana e ele, ex-presidente de multinacional farmacêutica e hoje um próspero empresário do setor de logística.

Samira é totalmente distraída e Alec, autêntico tolerância zero quando se trata da própria esposa. Essa mistura gera um poderoso combustível para que os conflitos sejam detonados a qualquer momento.

Na verdade, o desentendimento é unilateral já que Samira apenas assiste aos rompantes do marido, capazes de acontecer com mais frequencia nas mesas de pizzarias divididas com casais amigos. Uns acham que isso ocorre porque Alec é ciumento e outros defendem a tese de que Alec nasceu para a ribalta e ao se sentir diante de uma platéia, mesmo que pequena, ele dá início ao show. Porém, outros desconfiam que o estranho comportamento de Alec é motivado por um segredo guardado a sete chaves, algo que ele não consegue extravasar, impedindo-o de assumir o seu verdadeiro eu.

Na semana passada, ao chegar em casa, informou à esposa que havia reservado uma semana no Spa de Sorocaba e que iria sozinho. Sentia-se estressado, deprimido, nervoso, prestes a explodir.

Na segunda-feira após o café, Alec pegou a estrada, chegando ao destino na hora do almoço, onde travessas de alface e agrião o aguardavam.

Quando se preparava para saborear a maçã de sobremesa, foi abordado por um hóspede que pediu licença para sentar-se à mesa.

Alec aceitou e o cara deu início ao papo:

“Meu nome é Marizo, destesto almoçar sózinho e como vi que você estava sem companhia, achei que poderíamos dividir a mesa. Você vem sempre aqui?”

“Prazer, sou Alec. Esta é a minha primeira vez nesse Spa”

“É a minha sexta vez”, disse o homem, “venho para desestressar, nunca para emagrecer já que assim como você, não preciso. Tenho uma empresa, viajo muito para a Alemanha, acabo de me separar e meus dois filhos ficaram com ela. Nunca me senti tão livre, tão eu, tão sem amarras, sem aquela angústia em meu peito, impedindo-me de ser inteiro, enquanto pessoa”

“É, Marizo, eu também vim para relaxar, já que graças à ginástica rítmica estou no peso ideal. Também estava sentindo um desconforto que parecia vir de dentro de minh’alma, como se as comportas impedissem que o rio que brota em meu ser, seguisse seu curso natural, como se o grito de liberdade fosse sufocado por uma força mais poderosa do que eu”

“Puxa, Alec, já vi que temos muito em comum! Você aceita tomar um drink antes do jantar em minha suíte? Eu trouxe bebida escondida, já que aqui é proibido…”

“Com prazer, Marizo, estarei lá”

No início da noite, Alec deu três batidinhas na porta da suíte do novo amigo.

“Entre, querido, fique à vontade enquanto preparo nossos dry martinis com cerejas para dar sorte.”

Enquanto Marizo se encarregava dos drinques, Alec observava a suite e notou que embora igual a dele, era mais decorada.

“Pronto, amigo, aqui estão nossos martinis. Saúde!”

“Saúde, Marizo! Interessante esse quadro de Iemanjá na parede…”

“Ah, é meu, levo sempre comigo, é minha protetora. Aqueles castiçais de cristal e prata também, herdei de minha falecida avó Matilde. Eu era muito apegado a ela”.

“E você Alec, fale-me um pouco de sua vida…É feliz?”

“Acho que hoje em dia ninguém pode dizer que é feliz. Tenho instantes de felicidade. Mas nesse momento estou numa fase meio complicada, como se estivesse faltando algo dentro de mim. Sabe, uma sensação permanente de vazio. Meu analista, o Dr Iolando, acha que eu sou uma espécie de pássaro real, estou na muda, trocando as penas, preparando-me para um novo tempo”.

“Que lindas essas palavras de seu analista! Quem sabe será um tempo libertador…”

“Não sei, Marizo, não sei. Dr Iolando é uma pessoa muito sensível. Estou deixando a vida me levar…”

“Alec, em homenagem a essa amizade que está nascendo, vou trazer mais dois martinis e colocar I’ll Survive com Gloria Gaynor no som. É o meu hino, como se fosse um rito de passagem”

“Eu adoro a Gloria! Você tem Village People?”

“Tinha, Alec, alguém me roubou. Mas eu tenho Sidney Magal cantando Sandra Rosa Madalena. Você gosta?”

“Puxa, amo! Eu inclusive aprendi a dançar essa música igualzinho ao Magal!”

“Verdade? Ah, dança prá mim, dança…”

“Amanhã, Marizo, hoje estou cansado da viagem…”

O papo foi tão animado que até esqueceram o jantar. No oitavo martini sentiram que estava na hora de dormir, afinal nos Spas os horários são rígidos, acorda-se muito cedo.

“Alec, porque você não dorme aqui? A cama é espaçosa…”

“Não sei Marizo, acabamos de nos conhecer…Não vou incomodar?”

“Imagine, mas é claro que não! Será maravilhoso desfrutar de sua doce presença”

“Que bom, Marizo…Você prefere o lado direito ou o esquerdo?”

“O esquerdo”

“Ótimo! Até nisso a gente se dá bem. Eu prefiro o direito…”

Tia Rubbias Boccattus e suas relações amorosas

Rubbias Boccattus e as relações amorosas

Festeira inveterada, tia Rubbias acumula, no esplendor de seus 88 anos, profícua experiência amorosa. Não se sabe ao certo qual é o seu trunfo ou segredo, mas a verdade é que não foram poucos os homens que sucumbiram aos encantos de titia.

E assim tornou-se natural que várias hipóteses fossem aventadas pela própria família, uma vez que sua longa lista de conquistas alcança a respeitável marca de 1002 espécimes masculinos devidamente abatidos.

Alguns dizem que sua sensualidade é genética, herdada de Marcellas, antepassada por parte de mãe, famosa por ter levado à loucura D. João VI, enredado em suas peripécias sob seus lençóis de seda com monogramas bordados em ouro. Outros atribuem a um tratamento à base de hormônios de coelha a que Rubbias se submeteu ainda na flor de sua juventude.

Mas não importa quais seriam os motivos, a verdade é que bastava provar do amor de titia para se tornar seu eterno prisioneiro.

No dia 28 de março, como faz todos os anos, Rubbias reverenciou com uma fantástica paella para duzentos convidados, o vigésimo aniversário de falecimento daquele que foi o único homem que deixou para sempre, profundas e insuperáveis marcas de amor em seu coração.

E nessas ocasiões titia sempre se emociona, principalmente quando no som começa a tocar a música de Chico Buarque com a qual ela celebra essa data: “O meu amor tem um jeito manso que é só seu e que me deixa louca, quando me beija boca, minha pele fica arrepiada…”

Sentada no cadeirão de vime, debaixo do flamboyant magnificamente florido e com o olhar perdido no passado, titia foi abordada por alguns dos convidados, ávidos por matar a curiosidade que há décadas tornou-se tabu familiar e resolveram perguntar sem rodeios: “Rubbias, afinal de contas o que é que o Lourenço tinha de tão especial assim, para lhe deixar apaixonada para sempre? E porque você nunca falou sobre esse assunto pra gente?”

“Bem, queridos, eu nunca falei nada sobre isso porque nunca me perguntaram. Quanto ao Lourenço, ele tinha algumas qualidades raras num homem: era um grande amante, não me podava, me amava, me divertia e era um sujeito discreto. Jamais escutei Lourenço contando vantagem, principalmente quando se tratava de mulher. Enfim, pelo menos para mim, ele era o que eu sempre sonhei”.

“Puxa tia”, aparteou Rennattas, “realmente devia ser maravilhoso conviver com ele. Mas, não sei, acho que mesmo assim, não era motivo suficiente prá ele se destacar tanto em relação aos outros, a ponto de você cair de quatro pro resto da vida”

“Bem Rennattas, na verdade ficou faltando falar de uma enorme qualidade física que ele tinha, mas eu prefiro não comentar”.

“Pôxa, tia Rubbias, por que? Qual é o problema?”

“Bem, o problema é que seu falar, vocês não vão acreditar. Vão dizer que é mania de grandeza,  que eu estou gagá!”

A chapa vai esquentar

A chapa vai esquentar

“Hoje a chapa vai esquentar, mas não é confusão, é churrasco do bão!”

Essa música, que torturou os telespectadores durante todo o tempo em que uma novela esteve no ar, animava, juntamente com os velhos sucessos da Jovem Guarda, o churrasco com que o Walcyr comemorava seus 50 anos.

A festa transcorria no amplo quintal da casa em que nasceu, no Grajaú, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, onde agora vivia com a Arlete.

Caipirinha, chopp, uísque, vinho, rolava bebida para todos os gostos. Afinal, tratava-se de meio século de vida, não era dia de economizar.

Como era de se esperar, logo, logo, o álcool fez efeito e abriu o apetite de todo mundo.

Ótimo, porque sobrava carne da melhor qualidade, vinda diretamente da reserva especial do açougue do Tonico, o qual, aliás, estava lá também, prestigiando o amigo de infância.

Porém, havia alguma coisa errada na fila do churrasco que, cada vez maior, não andava. E pior, o cheiro de carne queimando, se espalhava pelo ar.

Quem estava criando o problema era a churrasqueira contratada que, sabe-se lá porque, fazia questão de só servir carne muito mais do que bem passada. E ninguém tinha coragem de reclamar, nem mesmo os anfitriões. Acontece que a moça, apresentada como Jordana Picanha, tinha 1,85m de altura, era forte como um touro, o que explicava o fato de, segundo ela, ser campeã de levantamento de peso e box tailandês, além de uma voz mais possante do que a do Pavarotti. Perto dela a judoca Edinanci parecia uma donzela indefesa. Discordar da Jordana, não era tarefa das mais agradáveis e, pelo visto, ela só ia começar a servir quando a carne estivesse esturricada.

Como ninguém tinha coragem de abordar a Picanha, o jeito foi escolher na sorte. E o contemplado foi justamente o Alcides, um pacato contador que em matéria de sorteio, só ganha quando o premio é mico. E lá foi ele, cheio de dedos, conversar com a moça, enquanto no som, Roberto Carlos atacava de “Quero que vá tudo pro inferno”.

“Senhorita Jordana, sem querer incomodá-la, gostaria de lhe fazer um pedido muito especial: será que a senhorita poderia fazer a gentileza de providenciar carne mal passada para alguns de nós?”

Mantendo os olhos fixos no braseiro, ela respondeu com sua assustadora voz de tenor: “Mal passada é frescura, coisa inventada por gaúchos de Pelotas. Churrasco bom tem que ser crocante. Quem gosta de carne crua não precisa de churrasqueira. Volta prá fila que eu aviso quando estiver no ponto”.

Que situação de lascar, não? A tal da Jordana Picanha, acabou com a festa! E a Arlete ficou toda acabrunhada, sentindo-se culpada porque havia contratado a moça pelos classificados do jornal, sem maiores referências, atraída apenas pelo sobrenome. Correu o risco até ser uma psicopata com fixação em crematório, já imaginou?

A maioria dos convidados, de porre e faminta, acabou numa churrascaria rodízio. O aniversário virou uma piada, que se espalhou pelo bairro. Quando alguém pergunta como foi o aniversário do Walcyr, o pessoal responde na bucha: “uma brasa, mora!”.

 

 

 

 

 

 

 

 

Troféu Narciso 2014, 15a rodada

Aproxima-se o final do ano e os narcisos entram em polvorosa, aumentando consideravelmente as declarações espetaculares sobre assuntos irrelevantes, da mais elevada idiotice. Os egos abundam. O negócio é tentar ganhar algum espaço, falando sobre as próprias bundas, peitos, beleza, sexualidade, enriquecendo imensamente a cultura, a educacão e a compostura do povo brasileiro. Alguns, a pretexto de defender bandeiras, alardeiam sua homo, bi ou panssexualidade, deixando a clara impressão de que o que querem mesmo é se manter no centro das atenções. Nós aqui do Troféu Narciso, queremos que em 2014 amplie-se sobremaneira o número já enorme de egocêntricos para que jamais nos falte matéria prima. Graças a essa verdadeira epidemia narcisa, espalhando-se também pelas midias sociais, muito em breve só haverá uma pessoa na conjugação dos verbos: Eu!

Vamos às perolas dessa gente brasileira mostrando o seu valor:

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“Ponho a bunda de fora, mas sou conservadora”

Rita Cadillacc, dançarina discreta

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“Ponho a bunda de fora, prá enlouquecer a rapaziada”

Narccissus Boccattus, ex-modelo, ex-ator, casado com Vittorio, empresário italiano e que adora exibir o rabo

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“Sou uma mulher corajosa e até um pouco masculinizada”

Luiza Brunet, modelo, dizendo no lançamento de sua biografia que coragem é coisa de macho

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“Sou uma mulher medrosa e até um pouco feminilizada”

Pammellas Boccattus, modelo, abrindo o coração no dia do lançamento de seu livro “Medo de baratas”

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“Eu a conquistei enviando poesias

Daniela Mercury, cantora, falando sobre a esposa, um assunto que ninguém agüenta mais.

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“Acredite, ele é bem dotado e muito bom de cama”

Tati Neves, modelo, sobre Justin Bieber e que deve considerar esse fato muito importante culturalmente para seu currículo

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“As duas me odiavam no A Fazenda porque eu arrumei um homem lá dentro e elas não”

Bárbara Evans, modelo, abrilhantando e elevando o nível do Troféu Narciso de forma elegante

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“Tinha desejo sexual pela platéia, queria transar com aquela gente toda”

Ney Matogrosso, cantor, em momento tarado, sem receio das consequencias na região glútea, caso aquela gente toda topasse.

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“A Globo ajudou a solidificar meu casamento”

Otaviano Costa, ator, casado com Flavia Alessandra, primeiro caso em que um casal recorreu a uma rede de televisão para solidificar as relações amorosas, aproveitando para dar uma puxadinho no saco do patrão.

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“Estou mais gostosa do que nunca”

Gaby Amarantos, cantora, sentindo-se totalmente atraída por Gaby Amarantos

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“Sim, já fiquei. Sou homem”

JR Duran, fotógrafo, em momento de auto-afirmação, dizendo já ter ficado com o membro “duran” em sessão de fotos para a “Playboy”. Esperamos que os ginecologistas, não sigam o exemplo do erétil Duran.

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“Sim, fico sempre excitado quando estou nu diante do espelho”

Eggobbellus Boccattus, ex-modelo, ator de novelas e discípulo de Onan.

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“Não me troco por duas de 20″

Angélica, apresentadora, declarando-se fantástica aos 40 anos

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“Com 42 anos, tenho a energia dos 20 e mais 20 de experiência”

Luciano Huck, apresentador, disputando o torneio de egolatria com sua mulher Angélica.

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“Não me troco por duas de 49″

Perunnas Boccattus, 98 anos, socialite, viúva de seis milionários, com enorme fogo no ventre

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“Na minha vida não tem escândalos, se tiver é pelos outros”

Susana Vieira, atriz, em momento amnésico.