Doações para presidiários

Doações para presidiários

No PAFACO – país do faz de conta – enorme território encravado no coração da América do Sul, estão reunidas as altas cúpulas do governo e do partido de sustentação.

Devido ao tema, Janjão, o poderoso marqueteiro oficial, fora convocado para dirigir o encontro. O assunto poderia ser de enorme gravidade para pessoas comuns, mas para eles tratava-se de mais um fato corriqueiro: os principais nomes da sigla haviam acabado de ser denunciados e condenados, por corrupção e formação de quadrilha. Embora tivessem a absoluta certeza de que nos presídios teriam tratamento VIP de hotel cinco estrelas, havia certa preocupação com relação ao futuro, se tal ocorrência pudesse vir a atrapalhar suas carreiras políticas e dificultar a reeleição da presidenta.

Porém, o experiente Janjão deu início ao relato do roteiro que havia criado para o espetáculo intitulado “Mensalão: as vítimas da mentira”, a ser lançado nos próximos dias e, segundo ele, iria se tornar um gol de placa para todos. Enfatizou que os envolvidos deveriam seguir à risca, suas determinações:

“Para começar, a partir de agora, em qualquer local que estiverem, seja tomando um simples cafezinho, batendo papo com amigos, ou mesmo sendo conduzidos à prisão, deverão manter um dos braços erguido, punho cerrado, principalmente se houver fotógrafos no recinto. Isso passará uma imagem de resistência, de combatentes injustiçados pelo judiciário e pelos poderosos. Não se preocupem, o povo nunca vai perceber que hoje, os poderosos somos nós que estamos mandando nesse país. Apenas não contávamos que um maluco tivesse coragem de condenar os nossos companheiros.

Depois que vocês já estiverem instalados em seus Spas (todos caíram na gargalhada), vamos lançar uma campanha para angariar fundos destinados a pagar as multas aplicadas pelo STF”.

“Pô, Janjão, você acha que o povo vai ter grana para doar? Tô achando isso furado!”

“Ministro Cedilha, em vez do senhor ficar colocando em dúvida a minha competência, deveria ter tido o cuidado de arrumar um laranja para assinar o tal convênio entre o Ministério da Saúde, pelo qual o senhor é responsável, e a ONG de seu pai, hoje denunciado em vários veículos. Com furos como esse, não há marketing que dê jeito!”

“Cedilha, vá para o canto da sala e mantenha-se de pé, com o rosto virado para a parede! Janjão, por favor, continue sua explanação”.

“Obrigado presidenta! Bem, como eu ia dizendo, com relação às doações, grana é o que não nos falta. Somos um partido rico! Além disso, haverá muito empresário mamador de tetas públicas, louco para ajudar. Só precisamos arrumar bastante gente do Zé Povinho, para assumir os depósitos. Já estou antevendo as manchetes da mídia chapa branca: “O povo sai em defesa de seus guerrilheiros, comparece em massa aos caixas e deposita R$ 20 milhões em doações!”

“Genial, Janjão, genial!”

“Obrigado, Lalá! E não devemos esquecer que conseguimos manter você, nosso grande líder, incólume nesse processo todo. Vamos prás cabeças, companheiros!”

“PAFACO, um país da gente!”, gritaram todos.

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Homens de cabeças avançadas

Brilhos falsos

“Cris! Há quanto tempo, minha amiga! A última vez que nos vimos faz uns quinze anos…”

“Não acredito que é você, Lorena! Realmente faz muito tempo, desde o casamento da Toninha…Tá passeando por aqui?”

“A gente alugou uma casa, nessa rua em frente. Uma delícia, adoro Maresias! Vim com a Pati e o Léo. O Fê, depois que fez dezoito anos, se sente todo independente. Está curtindo janeiro com os amigos de faculdade em Camburi, na casa de um deles. O Haroldo, meu novo husband, que você ainda não conhece, fica trabalhando em SP e desce às sextas-feiras. Posso dizer que estou numa fase boa. As crianças, à exceção do Fê, que é cabeça dura e muito ligado ao pai, gostam dele. E você, querida, o que faz por aqui?”

“Estou passando as férias na casa de minha cunhada. Vim com os filhos e o Mané, que tirou férias e veio junto”.

“Pôxa, Cris! A gente tem que recuperar o tempo perdido, afinal já fomos amigas inseparáveis! Me diga uma coisa: você não havia se separado do Mané?”

“Sim, ficamos separados quatro anos, mas no dia do meu aniversário de 40 anos, ele me convidou prá jantar e, depois de duas garrafas de vinho e muita carência, resolvemos voltar. Nada como o tempo para ajudar a gente a evoluir. O Mané tá com outra cabeça, Lorena!”

“Estou curiosa, Cris! Lembro que ele era muito ciumento, caladão, não admitia que você usasse mini saia, fio dental e outras besteiras. Você ficava bastante chateada, mas aceitava…”

“É verdade, amiga, eu queria manter a harmonia. Por outro lado, as pessoas confundiam o fato dele ser uma pessoa calada, com antipatia. Se você o vir agora, não vai reconhecer, pensará que se trata de um irmão gêmeo, com outro astral. O temperamento do Mané não mudou muito, mas o visual está todo modernoso”.

“Ai, amiga, fico muito feliz ao saber disso. Só espero que as transformações não tenham sido tão radicais, a ponto do Mané ter virado outra pessoa…brincadeirinha…”

“Claro que não, Cris! Só prá que você não tenha maiores surpresas, vou adiantar as principais novidades: Mané está com os cabelos até o ombro, usando tiara, brinco de pérola na orelha esquerda, vinte tatuagens espalhadas pelo corpo, sendo uma estrelinha no lado direito da testa dedicada a mim, e malhando três horas por dia, na Body Tech”.

“Uau! E você aproveitou a maré e foi prá pista? Encurtou todas as saias, arrematou todos os biquinininhos do shopping?”

“Pois é, Cris, em relação a mim, as coisas não mudaram. As bainhas de minhas saias não subiram nem um milímetro e fio dental, só mesmo prá limpar meus dentes…”

“Vamos ver se eu entendi, Ló! Quando você disse que o Mané tava com outra cabeça, referia-se aos cabelos longos, à tiara, ao brinquinho e à estrelinha, revelando que a fachada passou por grandes transformações. Porém, quanto ao cérebro, permaneceu estagnado, correto? Olha, minha amiga, eu acho que, na verdade, o Mané involuiu para a espécime contemporânea “Homo BBB”, cujas principais características são embalagem espalhafatosa e conteúdo de baixa qualidade!”

O maravilhoso planeta Facebook

O maravilhoso planeta Facebook

Há milênios uma pergunta se mantém atual e sem resposta: existe vida além desta que levamos aqui na Terra? E o que acontece após a morte?

Para a Igreja Católica duas possibilidades estão nos aguardando: arder no fogo do inferno ou desfrutar dos prazeres infinitos do paraíso. Dependerá do comportamento de cada um. Há ainda uma espécie de segunda época para aqueles que não passaram por aqui com louvor: um estágio, para  aprimoramento, no purgatório.

Já os espíritas crêem que voltaremos à Terra quantas vezes forem necessárias para alcançarmos um nível mais elevado. Como essa depuração espiritual está, pelas barbaridades que a gente presencia no dia a dia, extremamente lenta, certamente reencarnaremos algumas zilhões de vezes, antes de conhecer o mundo superior.

Os evangélicos acreditam na força do dízimo para que os pastores possam viver uma vida com muita fartura.

Paralelamente, foguetes já levaram o homem à Lua, Marte está sempre na mira dos cientistas, muita gente já viu discos voadores e outros afirmam ter sido abduzidos por seres de outras galáxias.

Mas a verdade é que ainda não tinhamos nada registrado e oficializado pelo jornal Nacional, o porta voz do Brasil. E assim pudessemos ter a tal da certeza “pão, pão; queijo, queijo”.

Porém, de repente, quando todos já começavam a perder a esperança de conhecer um mundo melhor, o Facebook surgiu, abduzindo seres humanos no mundo inteiro, levando-os para outra dimensão e, instantaneamente, transformando-os em pessoas maravilhosas.

Aqui no Brasil, por exemplo, é incrível a quantidade de cidadãos que sumiu das ruas, dos bares, das praias, dos parques, das reuniões sociais e passou a viver nesse mundo novo. Nunca mais foi possível encontrar, em carne e osso, qualquer amigo que tenha sido transportado para o planeta Face.

Lá, eles passam os dias sentados, postando para pessoas que mal conhecem, suas imagens e notícias diárias, mostrando que estão levando uma vida fantástica, divulgando tudo o que fazem, desejando um dia esplendoroso a todos quando acordam, exibindo através de fotos o que comem, os locais por onde passeiam, relatando seus inúmeros feitos, defendendo veementemente os pobres, fracos e oprimidos, combatendo os políticos corruptos, abominando os preconceitos, desejando boa noite quando vão dormir, informando cada um de seus admiráveis passos. E assim, todos alcançaram a elevação espiritual: transformaram-se em almas generosas, prestativas, poéticas, politica e ecologicamente corretas, enfim, anjos.

Porém, nós que continuamos aqui nesse caótico planeta Terra, sentimos saudades, vontade de estar com eles pessoalmente, apertar as mãos, bater longos papos olho no olho, abraçar peito com peito.

Infelizmente, desde que eles foram abduzidos pelo Face,  essas coisas não foram mais possíveis.

MSC – Movimento dos Sem Cabeça

MSC - Movimento dos Sem Cabe;ca

Até uns dias atrás, o presídio mais célebre do Brasil era o Carandiru, que ganhou projeção mundial devido ao massacre ocorrido durante o governo Fleury. Agora o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, tornou-se destaque na mídia nacional e internacional, graças às macabras imagens de cabeças decapitadas, ilustrando um enredo jamais visto em qualquer filme na história do cinema.

Para comemorar essa extraordinária conquista, Zé Sarney, proprietário do estado, ordenou à sua herdeira que organizasse uma grande efeméride e convidasse as maiores expressões da política nacional e sul-americana.

A festeira e requintada apreciadora de frutos do mar, Roseana, não perdeu tempo e, vinte dias depois, o Brasil parou para assistir, em cadeia nacional, ao lançamento do MSC – Movimento dos Sem Cabeça, no Castelão. Para curtir o espetáculo no próprio estádio, os ingressos foram substituídos por doações de chapéus, um toque de humor refinado, proposto pelo marqueteiro oficial, imediatamente aceito pela governadora e aprovado por seu orgulhoso papi.

Após a cerimônia, que contou com a presença de autoridades municipais, estaduais e federais, programou-se um jogo de futebol entre Brasil e Venezuela, com elencos integrados por personalidades de destaque na vida dos dois países.

O time nacional foi escalado com: Jader Barbalho, no gol. Renan Calheiros, Delúbio, Zé Dirceu e João Paulo, na zaga. Valdemar Costa, Maluf e Zé Sarney, no meio de campo. Genoíno,  Bispo Rodrigues e Pizzolato, no ataque. Técnico: Lula

O time Venezuelano iria a campo com Maduro, no gol. Sabiá, Tico-tico, Pardal e Bentevi, na zaga. Coleiro, Assum Preto e Anú no meio de campo. Canário, Saíra e Tiê, no ataque. Técnico: Fidel.

Maduro, capitão do time, explicou que a escalação de seus jogadores devia-se à onipresença espiritual de Chávez que, por inúmeras vezes, conversara com ele encarnado em cada um desses pássaros.

Infelizmente o jogo acabou não se realizando, porque os uniformes do time brasileiro, as bolas, torneiras, chuveiros, lâmpadas e vasos sanitários do vestiário nacional foram furtados.

Nesse momento, os jogadores e a comissão técnica do time brasileiro estão prestando depoimentos.

Os sinceros do Face

Os sinceros Facebook

A casa de Rubbias, a filósofa festeira da família Boccattus, botava parentes pelo ladrão na feijoada comemorativa do segundo aniversário de Carollinnas, a primeira bisneta da anfitriã.

Um dos grupinhos mais interessantes e polêmicos reunia-se debaixo da mangueira secular do amplo quintal: Macchus, cujo nome é absoluta redundância, visto ser ele um verdadeiro monumento ao machismo, a sexóloga Abbddas, o carola Anggellinnus, o intolerante Ruddes e a sedutora Najjas.

Essa última, com a eterna necessidade de chamar a atenção para seus atributos sensuais, comentava o sucesso que está fazendo no Facebook, com suas fotos e poesias de acentuado apelo erótico.

Anggellinnus comentou que só entrava no Face para ver as novidades de seu grupo fechado ‘Somos anjos passeando na Terra’, e que nada mais lhe interessava nessa mídia social.

Macchus, com aquela postura cafajeste que o caracteriza, resolveu se manifestar: “Pois você não sabe o que está perdendo. O Face apresenta uma formidável concentração de mulheres carentes, ávidas por curtir e compartilhar. E eu, de olho nesse mercado promissor, caprichei no meu perfil e coloquei lá: ‘Solteiro, bem de vida, poeta’. E como frase do mural tasquei: ‘O amor é o meu país’.

Cara, desde que inaugurei minha página, uma média de dez mulheres por dia pede prá ser minha amiga. Já estou com 4.997. Vou abrir outra com o nome ‘Macchus Boccattus 2, O Pote de Amor’. E como frase do mural, serei matador: ‘Corpos amantes, a pororoca do orgasmo!’ Ah, meus primos, garanto que o meu aplicativo de solicitações de amizade vai entupir!”

Abbddas sentiu-se na obrigação de apartear: “Macchus, você é portador do que chamamos de Fuga do Afeto, ou seja, esconde-se na busca insaciável da conquista, com medo de amar e sofrer”.

“Pô minha prima”, aparteou Ruddes, “gostei da profundidade de seu comentário psicológico, mas para mim o caso do Macchus é bem mais simples: o distúrbio dele chama-se mulher. Por falar em Facebook, penso em criar um grupo com o nome de Os Sinceros do Face. Nele, será proibido esse negócio de se exibir com frases lindamente poéticas ou politicamente corretas. Os membros só poderão colocar posts absolutamente francos, como por exemplo:

“Eu dou propina pro guarda”; “Se eu fosse político, também metia a mão”, “Meu pinto é pequenininho”; “Eu jogo lixo pela janela do carro”; “Com meu marido, não tenho orgasmo”; “Odeio cerveja, bebo pra me enturmar”; “Quando estou sozinho, rebolo pelado diante do espelho”, “Sou brocha!”, “Quero um homem já!”, etc..

Tia Rubbias, que ouvia a tudo calada e sentada na enorme cadeira de balanço com assento e encosto de vime, resolveu meter a colher, como sempre, transbordante de lucidez: “Meus sobrinhos, esses posts que o Ruddes propõe, nunca dariam certo, acabariam com a ilusão que alimenta o Facebook…”

Tia Rubbias e a prepotência

Tia Rubbias e a prepotência

Como acontece uma vez por mês, estivemos na centenária casa de tia Rubbias no bairro paulistano de Pinheiros, para curtir momentos de raro prazer com seus almoços e bate-papos insuperáveis.

A cada sábado ela costuma convidar quatro parentes, que comparecem felizes, mas já sabendo de antemão que marcar compromissos para depois do exuberante regabofe é correr o risco de não comparecer. A prova disso são as enormes redes penduradas entre as frondosas mangueiras e jaqueiras do amplo quintal, nas quais, após o repasto, os convidados invariavelmente caem no sono que poderá durar até a manhã seguinte. Enquanto isso, Dr Zebballus, médico da família Boccattus, permanece de plantão, esteja onde estiver, de celular ligado, pronto para entrar em ação caso ocorram problemas decorrentes dos inevitáveis excessos gastronômicos e etílicos.

Dessa vez comparecemos Abbddas, Ruddes, Najjas e eu.

Os trabalhos tiveram início com caipirinha de carambola e branquinha de Varginha, Minas Gerais. Parecia que tínhamos combinado, pois cada um repetiu três vezes. De tira gosto, provolone à milanesa, torresminho, frango a passarinho e linguicinha toscana apimentada. Prá lavar e preparar o estômago para o principal, Bohemia estupidamente gelada.

Em seguida sentamo-nos em torno da enorme mesa rústica de madeira maciça, na qual nos aguardavam, além do tinto português Periquita, algumas das especialidades de titia, todas devidamente preparadas no forno a lenha: rabada com agrião, mocotó, carne seca com abóbora, tutu de feijão, arroz branco e galinha ao molho pardo. De sobremesa, ambrosia, doce de coco e doce de leite.

Prá encerrar, café e licor de acerola.

Em seguida nos espichamos nas redes e tentamos resistir ao sono, uma vez que o melhor ainda estava por vir: o precioso papo de Tia Rubbias que, forte como um touro, e do alto de seus 88 anos, mesmo comendo e bebendo tanto quanto a gente, permanecia impoluta, como se nada tivesse acontecido. Pelo contrário, titia ainda era capaz de continuar conversando por horas a fio, sem demonstrar o menor sinal de cansaço. Donde se conclui que sexo em excesso faz muito bem à saúde, uma vez que, nesse quesito, durante sua longa e intensa vida amorosa, hoje menos frequente, titia foi atleta de ponta.

Lutando para permanecer de olhos abertos e com a voz ligeiramente pastosa, Najjas começou: “Tia, faz tempo que não vejo o primo  Marccellus. Sei que de uns anos prá cá, foi melhorando de vida e está cada vez mais rico!”

“Querida, faz uns seis meses que ele esteve aqui, mas acabou se aborrecendo comigo e não voltou mais. Sei que ele está sempre muito ocupado, ou viajando, ou em reuniões ou almoços e jantares de negócios”.

“Ficou zangado com você? A troco de que, tia?”, quis saber Abbddas.

“Começou por causa de besteira, mas acabou ficando uma situação muito chata! Num desses almoços ele bebeu além da conta e baixou um espírito arrogante nele, começou a contar vantagem, foi muito agressivo e grosseiro com o Rinnalddus, coitado, que está passando por sérias dificuldades financeiras. Infelizmente, a bebida fez com que Marccellus mostrasse como realmente anda a cabeça dele, dominado pela sensação de poderoso inatingível proporcionada pela grana”.

“Pô”, aparteou Ruddes, “mas o que houve entre ele e tio Rinnalddus?”

“Começaram discutindo sobre política, o Rinnalddus disse que o Lula tinha enganado o povo e Marccellus que agora é petista roxo, não gostou. É bom ressaltar que ele começou a enriquecer de uns nove anos prá cá. A discussão foi ficando acalorada e Marccellus falou que Rinnalddus era fracassado e recalcado. E que ele era um exemplo de empresário de sucesso, com cinco carros na garagem, sítio em Itatiba, casa e lancha em Angra e outros luxos mais”.

“Caramba! E aí?”, perguntei.

“Daí que fiquei indignada com aquela humilhação e resolvi expor o meu ponto de vista pro Marccellus. Mas, deixa esse assunto desagradável prá lá…”

“Pô tia, você não vai nos deixar curiosos, vai? O que você falou, afinal?”

“Bem se vocês querem mesmo saber, eu disse que ele tinha um conceito equivocado e que dinheiro não significava obrigatoriamente sucesso, dependia muito da forma como fora conquistado. Perguntei também se, por acaso, ele sabia de onde todos nós viemos, o que estamos fazendo aqui na terra e para onde vamos. Ora, se não sabia nenhuma dessas respostas e não é imortal, não tem a menor condição de ser arrogante ou pretensioso. É igualzinho a qualquer outro e, mesmo coberto de ouro, não há qualquer garantia de que amanhã acordará vivo. E se bater as botas, os carros, as casas e a lancha não caberão no caixão”.

“E ele?”

“Disse que éramos todos medíocres, que não voltava nunca mais aqui e saiu batendo a porta”.

“Pô, que coisa mais chata, tia…”

“É verdade, mas um dia ele vai amadurecer e perceber que nessa vida tão frágil e fugaz, posturas pretensiosas e arrogantes não passam de absoluta ignorancia”.

O aniversário de Juciara no Facebook

O aniversário de Juciara no Facebook

Dia 02/11

“Minhas queridas amigas e meus queridos amigos de Face, esse post é dedicado a vocês: há oito meses, quando saí do Maranhão para vir morar em São Paulo, fiquei preocupada, não conhecia ninguém e a cidade tinha a fama de ser fria, pouco receptiva, desfavorável a se estabelecer novos relacionamentos. Realmente, no início não foi nada fácil, fiquei restrita aos colegas do banco onde trabalho. Mas aí entrei para o Face, e tudo virou um sonho. Claro que minha personalidade expansiva ajudou. Hoje tenho 4.973 amigos, sendo que 3.120 são de São Paulo. É uma enorme felicidade saber que tenho tanta gente querida, sincera, leal, sempre ao meu lado pro que der e vier, seja na alegria, ou na tristeza, que vibra com minhas vitórias. Obrigada por vocês existirem. Olha, meus amados e minhas amadas, tenho um convite muito importante e carinhoso para fazer: esse é o mês de meu aniversário e, para comemorarmos juntos, reservei para o dia 18 próximo, a partir do meio dia, o espaço de convivência do Freguesia do Ó Esporte Clube, do qual além de vizinha, sou sócia. Graças ao 13º salário, ao cheque especial e a uma poupança, pude organizar, um grande churrasco com cerveja Itaipava para 3 mil pessoas.

Conto com todos vocês, meus queridos. Claro que não posso exigir que os amigos e amigas dos outros estados estejam presentes, mas nos daqui de São Paulo, faço questão de dar um beijo pessoalmente em cada um. Peço que confirmem presença aqui pelo Face. Beijos no coração!”

Dia 12/11

“Minhas amigas e meus amigos, estou uma pilha de emoções! Até agora, 2.610 confirmaram presença, 198 responderam talvez e apenas 12 justificaram que, devido a problemas particulares, infelizmente não poderão estar presentes, mas, que estarão conosco em espírito. Vocês são demais, meus amigos! Beijos na alma!”

Dia 17/11

 “Meus amores, que coisa maravilhosa! 3.011 disseram sim, ao encontro de amanhã! Graças a vocês, será o dia mais feliz de minha vida! Tenho certeza de que nossa amizade vem de outras vidas. Adoro-os! Beijos na aura!

Dia 19/11

“Compareceram ontem ao meu churrasco de aniversário, somente os meus colegas do banco, Toninho da compensação, Pamela do caixa, Gilcilene da gerência e Adenilton da tesouraria. Sobraram seiscentos quilos de carne e sete mil cervejas. Ontem e hoje recebi aqui no Face, mais de duas mil mensagens hipócritas de parabéns. Peço que as introduzam em seus respectivos orifícios. Beijos no coração, na alma e na aura é o cacete! Estou deletando meu nome desse circo de ilusões! Adeus!”