Mattinhus, a cura

Mattinhos, a cura

 

Simpático, inteligente e querido por todos, aquele homem de pouco mais de 1,50 m de altura guarda em si um enorme segredo, responsável pela felicidade de um grande contingente feminino.

Dia desses, ele passeava pela cidade serrana de Teresópolis em busca de pequenos enfeites para a sala de sua residência, quando se deparou com uma vitrine repleta de lindos duendes de cerâmica. Achou interessante o nome da loja: A Grandeza do Espírito.

Entrou e foi recebido por uma mulher exótica, vestindo roupas dos anos 60 e uma estrela colorida presa nos cabelos enormes e crespos, eletrizados, repartidos ao meio.

“Bom dia”, disse ela, com um sorriso zen-tenso. “Bom dia”, respondeu Mattinhus com seu sorriso cativante.

Explicou que queria saber o preço dos duendes da vitrine.

Dali pra frente, engataram um papo que Miríades, a dona da loja, conduziu para um complicado esoterismo-cabeça-feminista.

Em posição de lótus, falando e gesticulando nervosamente, além de abordar as coisas do espírito, ela opinava que a relação homem-mulher só seria completa se o homem, enquanto companheiro, assumisse, integralmente, as tarefas domésticas. E quanto à alimentação, o ser humano só conseguirá alcançar o Eu Superior por meio de grãos e verduras orgânicos, abstendo-se totalmente de açúcar e alimentos de origem animal.

Mattinhus olhava meio cabreiro para a mulher e recusou suas ofertas para botar cartas de tarô, depois runas e até búzios. Mas, aceitou uma massagem acompanhada de florais de Bach, ao som do CD do cravista indiano Mahagoti

Acomodaram-se na saleta ao lado, luz mortiça, repleta de astros, estrelas, fadas, duendes e deuses das florestas.

Mattinhus, só de cuecas, deitou-se de bruços sobre a maca, enquanto Miríades iniciava uma massagem com óleo de Vrabanjha, planta característica da Terra do Sol Resplandecente.

O toque de Miríades foi causando uma forte sensação em Mattinhus que, descontrolado, sentia que uma inoportuna ereção ia, aos poucos, servindo-lhe de guindaste, feito macaco de automóvel. Em pouco tempo, Mattinhus estava suspenso a quase dois palmos da maca, equilibrando-se em seu fantástico segredo.

Miríades, que acreditava em duendes, embasbacada, não conseguia acreditar no que estava vendo. Fabuloso!

Aquele era, seguramente, o tão procurado Nirvana. Sim, ela estava diante do Grande Mistério do Universo!

Dali em diante, a massagem deu lugar a uma exuberante performance amorosa que só terminou ao amanhecer.

Miríades despertara em êxtase, flutuando. Agora tinha certeza de que o nome de sua loja era uma premonição: ela acabara de conhecer a Grandeza do Espírito. E era muito maior do que ela jamais poderia imaginar.

A vida de Miríades mudou. De cabelos lisos, adora cozinhar para Mattinhus e trocou os produtos da loja, passando a vender roupinhas de bebê.

E espera ansiosa a chegada da quinta-feira, quando Mattinhus sobe a serra.

Nesse dia, Miríades o aguarda com suas delícias prediletas: leitão à pururuca e, de sobremesa, banana split com sorvete de chocolate, creme e morango.

 

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