As bem amadas

As bem amadas

Quem conhece a família Boccattus, sabe que, em se tratando de sucesso com o sexo feminino, Candiddus desperta o maior orgulho entre os parentes. Com um jeito especial de tratar as mulheres, Candiddus coleciona uma enorme e admirável lista de conquistas. Nem feio, nem bonito e sem apresentar relevantes atributos físicos, ele apenas põe em prática seu método simples, porém infalível de seduzir as mulheres. Aos mais curiosos, é bom destacar que ele jamais revelou o seu segredo. Mas, se a gente prestar atenção, dá prá sacar algumas de suas mumunhas.

Absolutamente contrário à máxima atribuída a Nelson Rodrigues de que toda mulher gosta de apanhar, Candiddus, por outro lado, acha perfeito o título de uma das peças do mesmo Nelson, “Perdoa-me por me traíres” a qual, inclusive, inspirou a bela letra de Chico Buarque na canção Mil Perdões: “Te perdôo por contares minhas horas nas minhas demoras por aí, te perdôo por que choras quando eu choro de rir, te perdôo por te trair…”

Trocando em miúdos, para Candiddus o responsável por sua mulher amá-lo ou não, traí-lo ou não, é você mesmo. “Mulher bem amada não tem idéias de jerico. Só de colibri!”, afirma com uma de suas máximas, o sedutor.

E agora ele surpreendeu mais uma vez. Corria a notícia entre a vizinhança, de que Adélia, cansada dos maus tratos e da falta de sensibilidade por parte do Egberto, resolvera sair de casa levando apenas uma mala de roupas. Essa atitude não causou maiores surpresas aos mais chegados do casal, uma vez que o marido jamais dera o devido valor ao tesouro que tinha em casa. Pelo contrário, a cada dia a moça apresentava uma aparência pior, relaxada consigo mesmo, pouco sorrindo e a pele do rosto visivelmente maltratada, como prova de que a felicidade estava passando muito longe dali. Logo ela que há uns anos atrás, encantava o bairro com sua beleza, irradiando simpatia.

Bem, mas verdade é que ela se separou e foi morar na casa de uma tia-avó.

Passados quase dois meses, uma nova surpresa: Egberto vê passar de moto, um casal esbanjando alegria, como se o mundo fosse um enorme parque de diversões. Ficou meio na dúvida, mas para ele tratava-se da Adélia na garupa do Candiddus.

A confirmação veio dias depois ao dar de cara com o novo par de pombinhos saindo agarradinho de um barzinho. Egberto sentiu o golpe. Entrou, sentou-se numa mesa de fundo e pediu ao garçom uma garrafa de Vodka , copo e gelo.

Na quinta dose, aproximou-se dele o velho amigo Geraldo: “Ô Egberto, o que está acontecendo, cara! Pára com isso, levanta a cabeça, vai!”

Egberto, com a voz já meio enrolada, desabafou: “Sabe Gê, o meu maior choque não foi vê-la toda melosa nos braços do Candiddus. O que realmente me abalou, foi constatar que uma sedosa pele de pêssego tomou conta do rosto da Adélia!”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s