Esbaldemo-nos no curral

Um dia de pesadelo

Ano novo, vida velha. Claro, existem variações. Mas, tudo dentro dos limites impostos pelo imenso Curral onde encenamos nossas novelas diárias.

Você poderá rir, chorar, dar cambalhotas, espernear, elogiar, criticar, criar, curtir, postar, fazer tatuagens, colocar piercing, tomar porre, cantar rock , correr, caminhar, usar máscara em protestos, fazer má-criação, beicinho. Tudo é permitido, dentro do espaço estabelecido pela cerca.

Não se esqueça de que temos donos aqui na terra. Fora daqui, embora nunca tenhamos visto, acreditamos que somente Deus possua a nossa escritura definitiva.

Aqui no Curral, conhecemos nossos donos, podemos vê-los e, principalmente, senti-los.

Alguns tentaram pular a cerca e construir espaço próprio. Deram-se mal.

As práticas para crescer dentro do Curral, sempre foram as mesmas: acertos com quem manda.

Isso é coisa muito antiga, várias corporações que ao longo do tempo  tornaram-se robustas, mamaram e cresceram nas volumosas tetas dos governos.

Inúmeras licitações são feitas para inglês ver. Sempre ganham os aliados ou, mais sofisticadamente, os “parceiros alinhados com as diretrizes dos governos”.

E, uma vez lá dentro, é como se você estivesse no Paraíso.

Tudo é fácil, grana a rodo, todo mundo feliz, velhos e novos ricos unidos numa espécie de corporativismo da mamata.

Almoços, happy-hours, jantares, coquetéis, acordos, uma delícia que durará até as próximas eleições.

Esse ano, o sonho de Anggellinnus Boccattus era trabalhar menos, curtir mais a vida. Ainda não vai dar. Mas, pelo cenário que está se desenhando para as próximas eleições, ele acredita que finalmente vai conseguir “se alinhar com as diretrizes de um novo governo”.

E então, no ano que vem, seu sonho finalmente se realizará e Ruddes, eufórico, ganhará inclusão social nas tetas também.

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A sexóloga Abbdas Boccattus

A sexóloga Abddas Boccattus

A família Boccattus é grande, tem de tudo, o que é ótimo porque em dia de festa assunto é o que não falta. Dessa vez comemorava-se o aniversário de Manccusus, o membro mais flácido do clã e o local escolhido foi a casa de Irennes na praia de Juqueí, litoral norte paulista.

Talvez devido à distância, muitos parentes não compareceram, mas houve quorum suficiente para garantir a animação.

A roda mais inusitada foi a que reuniu Macchus, Rubbias, Ruddes e Abbdas discutindo a especialidade dessa última: sexo.

O papo provocador começou, como sempre, com Ruddes: “Abbdas, você escolheu uma profissão das mais agradáveis. Embora o tema pareça complexo, a gente tem a impressão de que uma sexóloga detém todos os segredos da sexualidade e é capaz de ter orgasmos com a mesma facilidade com que palita os dentes. Diga uma coisa, prima: uma especialista em sexo estuda comportamentos individuais ou segue um manual, com todo mundo enquadrado na mesma cartilha?”

“Ruddes, existem algumas atitudes e reações que são comuns, mas cada um tem as suas peculiaridades, que, obviamente, devem sempre ser consideradas”.

“Mas, quando você participa de um programa de televisão e fala para milhões de telespectadores, como é que faz?”

“Aí, evidentemente, eu procuro um enfoque generalizado”.

“E o que lhe dá autoridade sobre o tema? Sua vida pessoal, seus estudos, suas observações, o que, afinal?”

“Tudo isso junto”.

“Bem, prima, desculpe a franqueza, mas em relação a estudos, tudo bem, você pode ficar bastante tempo pesquisando, aprofundando-se na literatura sobre o tema.

Quanto às observações, também. Mas, sobre sua experiência pessoal, pelo que eu sei você ficou casada com Apparecciddus por dois anos, separou-se e depois, pelo menos relação fixa, não teve mais ninguém. Seria você uma misteriosa e insaciável Belle de Jour? Custo a crer, uma vez que você mora com a tia Irennes e, segundo ela, dedica-se totalmente ao seu trabalho em casa, pouco saindo, o que a descredencia a incorporar a célebre personagem de Catherine Deneuve, no filme de Buñuel. Escolhi esse exemplo, porque, para mim, uma expert em sexo precisa, necessariamente, apresentar uma considerável milhagem de vôos”.

“Ruddes, para discutirmos essa sua tese, precisaríamos de horas e horas de papo sério, o que não cabe nesse momento”.

Macchus Boccattus, o representante da família quando se trata de machismo exacerbado, decidiu meter a colher: “olha, eu acho que uma mulher que tem ao seu lado um verdadeiro macho, não precisa de sexóloga, terapia, nada. Será sempre uma fêmea feliz”.

Tia Rubbias, 89 primaveras, usina de sabedoria, resolveu, diante do aparte de Macchus, externar sua sempre lúcida opinião:

“Meu querido sobrinho, existem machos e machos. Alguns, realmente, são capazes de, graças a um conjunto de coisas, fazer uma fêmea feliz. Porém, existem outros que, por absoluto desconhecimento da alma feminina, são capazes de traumatizar uma mulher para sempre”.

Macchus olhou desconfiado para a tia, ia fazer uma pergunta, mas preferiu ficar calado, evitando saber em qual dos dois casos Rubbias o estava incluindo.

Abbdas, por sua vez, aproveitou o momento para sair de fininho, antes que o inconveniente do Ruddes insistisse no desagradável assunto da milhagem.

O emprego em multinacional

O emprego em multinacional

Gillus acha que o funcionário de multinacional é o funcionário público com grife.

Ao ser admitido em uma multinacional, você tem de ter claro em sua mente que você é apenas uma micropeça descartável da engrenagem. Ou seja, com você ou sem você, a empresa vai funcionar igual. Não caia na besteira, jamais, de se imaginar com alguma importância na “corporação”.

Se quiser seguir carreira, você tem, antes de tudo, de desenvolver seus dotes de ator ou atriz. Existe um script que, se você seguir à risca, vai trabalhar lá até a aposentadoria.

Primeiramente, vista-se com ternos neutros, discretos, cinza, pretos ou azul-marinho.

Durante o malfadado governo Collor, houve uma abertura para ternos claros, extravagantes e pegava bem ousar no estilo. Com o vexame do impeachment, as roupas voltaram a ficar escuras. Todo mundo receoso de ser confundido com o estilo da ex-República das Alagoas. O corte de cabelos deve ser curto. Para os mais jovens, gel pega bem. Para os mais velhos, escovinha e orelhas abanando.

Diariamente, ao conversar com seu chefe imediato, elogie descaradamente o desempenho dele, pois, com certeza, ele também está elogiando o chefe dele na Europa ou Estados Unidos, seja por telefone, fax ou e-mail.

Se ganhar uma saleta só para você, espalhe quadros pela sala, contendo fotos suas com a esposa, filhos, enfim, uns cinco quadrinhos está de bom tamanho.

Mesmo que você e sua mulher não se suportem e você tenha até uma amante secreta, a Kátia Meire, balconista de uma loja de eletrodomésticos.

O importante é que você transmita à empresa que você é um ser de alto nível, confiável, absolutamente familiar.

Mesmo que, em suas travessuras íntimas com Kátia Meire, você se esbalde vestido de Cameron Diaz e perucas Tina Turner.

Em reunião com algum fornecedor em sua sala, diga sempre, com ar blasé, que você precisa falar com Detroit. Ou com Nova York, ou Londres, ou Madrid, ou Frankfurt.

Na verdade, você vai contatar um funcionário da matriz da empresa, numa dessas cidades. Mas, do jeito que você coloca, parece que manda na cidade de Detroit, ou Nova York etc. etc. Isso impressiona.

Jamais diga que você vai falar com La Paz, Bogotá, Quito etc. etc. É muito importante também que, na conversa com o visitante, você introduza algumas palavras-chave em inglês, como budget, board, up grade, target

Refira-se sempre à empresa como A Companhia.

Se você for mulher, faça um curso intensivo de robô. Mas tem de ser um robô simpático e, de preferência com voz metálica ou anasalada. E fique preparada para agüentar com fair-play, as constantes indiretas de seu chefe, dando a entender que, sob o terno sisudo daquele homem poderoso, existe um ser humano incrível, sensível, o sonho de consumo de todas as mulheres.

Os sinceros do Facebook

Os sinceros Facebook

A casa de Rubbias, a filósofa festeira da família Boccattus, botava parentes pelo ladrão na feijoada comemorativa do segundo aniversário de Carollinnas, a primeira bisneta da anfitriã.

Um dos grupinhos mais interessantes e polêmicos reunia-se debaixo da mangueira secular do amplo quintal: Macchus, cujo nome é absoluta redundância, visto ser ele um verdadeiro monumento ao machismo, a sexóloga Abbddas, o carola Anggellinnus, o intolerante Ruddes e a sedutora Najjas.

Essa última, com a eterna necessidade de chamar a atenção para seus atributos sensuais, comentava o sucesso que está fazendo no Facebook, com suas fotos e poesias de acentuado apelo erótico.

Anggellinnus comentou que só entrava no Face para ver as novidades de seu grupo fechado ‘Somos anjos passeando na Terra’, e que nada mais lhe interessava nessa mídia social.

Macchus, com aquela postura cafajeste que o caracteriza, resolveu se manifestar: “Pois você não sabe o que está perdendo. O Face apresenta uma formidável concentração de mulheres carentes, ávidas por curtir e compartilhar. E eu, de olho nesse mercado promissor, caprichei no meu perfil e coloquei lá: ‘Solteiro, bem de vida, poeta’. E como frase do mural tasquei: ‘O amor é o meu país’.

Cara, desde que inaugurei minha página, uma média de dez mulheres por dia pede prá ser minha amiga. Já estou com 4.997. Vou abrir outra com o nome ‘Macchus Boccattus 2, O Pote de Amor’. E como frase do mural, serei matador: ‘Corpos amantes, a pororoca do orgasmo!’ Ah, meus primos, garanto que o meu aplicativo de solicitações de amizade vai entupir!”

Abbddas sentiu-se na obrigação de apartear: “Macchus, você é portador do que chamamos de Fuga do Afeto, ou seja, esconde-se na busca insaciável da conquista, com medo de amar e sofrer”.

“Pô minha prima”, aparteou Ruddes, “gostei da profundidade de seu comentário psicológico, mas para mim o caso do Macchus é bem mais simples: o distúrbio dele chama-se mulher. Por falar em Facebook, penso em criar um grupo com o nome de Sinceridade no Face. Nele, será proibido esse negócio de se exibir com frases lindamente poéticas ou politicamente corretas. Os membros só poderiam colocar posts sinceros, como por exemplo:

“Eu dou propina pro guarda”; “Se eu fosse político, também metia a mão”, “Meu pinto é pequenininho”; “Eu jogo lixo pela janela do carro”; “Com meu marido, não tenho orgasmo”; “Odeio cerveja, bebo pra me enturmar”; “Quando estou sozinho, rebolo pelado diante do espelho”, “Sou brocha!”, “Quero um homem já!”, etc..

Tia Rubbias, que ouvia a tudo calada e sentada na enorme cadeira de balanço com assento e encosto de vime, resolveu meter a colher, como sempre, transbordante de lucidez: “Meus sobrinhos, posts como esses que o Ruddes propõe, nunca dariam certo, acabariam com a ilusão que alimenta o Facebook…”

O Café das Desesperadas

O Café das desesperadas

Quando está em São Paulo, Ruddes gosta de passear por alguns pontos, divertindo-se como voyeur. Para observar o comportamento da classe média deslumbrada, tem algumas preferências: o mercado Varanda, da ponte Cidade Jardim, o Pão de Açúcar da praça Panamericana e o Shopping Iguatemi. Esse último é o seu preferido. E, dentro do shopping, o café que fica no terceiro piso é imbatível. Ali, ele é capaz de passar horas sentado, bebericando água e capuccino, curtindo a artificialidade das deslumbretes mais maduras. Ruddes chama o local de Café das Desesperadas.

Entre 35 e 55 anos, quase sempre acompanhadas de uma, duas ou três amigas, carregando sacolas de lojas de grife, elas circulam com ares de integrantes do exclusivo circuito fashion paulistano.

Sempre arrumadas e maquiadas inadequadamente para o horário e local, sentam-se em torno das mesinhas para verem e serem vistas e, quem sabe, encontrar o príncipe do Iguatemi, que surgirá com uma sacola Ermenegildo Zegna, ou Hugo Boss, ou Ralph Lauren nas mãos (portadores de sacolas Richard’s não são totalmente descartados).

Elas ficam ali, prestando meia atenção na conversa e meia na ala masculina circulante. Tentam ter postura zen, mas as expressões são ansiosas. O tempo vai passando, nada do príncipe aparecer. A possibilidade de mais uma noite, mais um final de semana grudadas no facebook vai se tornando cada vez mais real.

As exigências começam a diminuir. Até que aquele gato com sacola da Renner na mão é bem jeitosinho. Ou aquele com um embrulho da C&A, charmosinho, né?

O loiro baixinho com um pacote da Casa das Cuecas é bem fofinho, vocês não acham?

Depois de 3 horas na base de café e água, hora de ir embora, salve-se quem puder.

Até chegarem ao estacionamento, a esperança é a última que morre. Será que aquele segurança morenão, que fica em frente às Lojas Americanas, vai trabalhar neste final de semana?

Trago o seu amor de volta

    Trago o seu amor de volta

São Paulo está repleta de faixas e cartazes em que uma pretensa médium promete trazer o amor perdido de quem quiser.

E como prova de lisura, diz que o pagamento só será efetuado após o sucesso da empreitada.

Como são inúmeros os casos de relações amorosas desfeitas, esse mercado parece ser bastante promissor.

Ruddes Boccattus até sentiu vontade de marcar uma consulta para, como diz ele naquele seu jeito tosco e direto de ser, “desmascarar essa safadeza”.

Porém, mais sereno, achou melhor deixar pra lá, pois, “quem quiser ser idiota e cair nesse conto do vigário, que caia”.

Mas, mesmo assim não deixou de comentar o assunto no almoço dos domingos da família Boccattus.

Para surpresa geral, sua irmã Rubbias confessou ter sido seduzida por uma dessas mensagens e acabou por comparecer à consulta de Mãe Avenca.

Rubbias queria porque queria, trazer de volta o amor de Heraldo, rompido há mais de cinco anos, mas que ainda mexia com o coração carente da moça.

“Eu não acredito que você tenha feito isso, minha irmã!”

“Não só fiz, como acho que vai dar certo e que, no máximo em quinze dias, o Heraldo estará batendo à porta de minha casa, pedindo prá voltar”.

Indignado, Ruddes insistiu: “Rubbias, o que te dá essa certeza? O que a tal de Mãe Avenca fez?”

“Ela tem uma força interior, uma carga espiritual muito forte, saí de lá convicta de que vou ter meu amor de volta”.

“E você teve que pagar alguma coisa?”

“Não, só pagarei oitocentos reais quando Heraldo estiver morando comigo.

O que eu fiz foi adiantar quatrocentos reais para que Mãe Avenca pudesse comprar o material necessário para fazer o trabalho”.

“É mesmo? E o que é necessário?”

“Um pé de avenca, um charuto, duas fitas vermelhas, uma casca de coco,

uma garrafa de cachaça, farofa e um pacote de coração de galinha, desses de supermercado. Com isso a Mãe Avenca vai até o riacho Butantã, que passa ali na USP e deita o trabalho. Em quinze dias Heraldo tá de volta”.

“Lamento lhe dizer maninha, mas você jogou quatrocentos reais no lixo. Ou seja, caiu no golpe da Avenca”.

“Ruddes você é muito pessimista, meu irmão! Como pode ter tanta convicção disso?”

“Fácil! Primeiro que o material não custa nem cinqüenta reais e cobrar quatrocentos já é um roubo. Segundo porque você e Heraldo viviam brigando, sempre infelizes, estava na cara que não ia dar certo. Agora, cinco anos depois, ele está casado e numa boa”.

“E você, sabichão, ao menos teria alguma sugestão para me ajudar?”, insistiu ela.

“Bem, se você continua com essa idéia fixa, a única solução é comprar um revólver, uma avenca, seqüestrar o Heraldo e mantê-lo trancado em cárcere privado.

A avenca você deixa junto, para que ele possa continuar mantendo contato com a natureza”.

Grupos do Facebook

Grupos do Face

– Oi Michele! Há quanto tempo!

– É verdade, Tamarah, tem uns vinte anos que não nos vemos, pensei até em localizá-la no Facebook…

– É mesmo? Eu tô no Face direto, todos os dias, todas as horas. E você?

– Eu também, amiga, igual a banco 24 hs. Tenho mais de quatro mil amigos e participo de 26 grupos. Uma loucura!

– Eu ainda não cheguei aos quatro mil, mas estou quase lá, já fiz 3.834 amizades e estou em dezoito grupos, todos defensores de causas ma-ra-vi-lho-sas! Num deles, o “Raiz Natureza”, sou a administradora, contamos com seis mil membros, todos incrivelmente conscientes da necessidade dessa coisa de sustentabilidade.

– Que legal Tamarah! E o que faz esse grupo?

– A gente defende a preservação dos coqueiros anões do oásis do deserto do Atacama.

– Sensacional! Adoro gente antenada com essa coisa de conscientização da vida, enquanto natureza. Eu tenho um grupo que você vai adorar, chama-se “Toques de amor”, com 1.200 membros, que é super participante.

– Adorei o nome, Michele! E o que faz o grupo?

– De quinze em quinze dias, às quintas-feiras, às 18 hs em ponto, cada um de nós vai até o jardim ou um vaso de plantas e acaricia durante quinze minutos as folhas. Depois nos reunimos todos no Face e cada um descreve a sensação durante o toque e a resposta afetuosa por parte da planta. É emocionante! Uma troca, uma catarse amorosa, uma integração entre o humano e o vegetal comprovando que todo ser vivente é dotado de alma.

– Olha, fiquei toda arrepiada, Michele…que coisa mais linda!

– Realmente, é indescritível Tamarah! É como se viajássemos pelo espaço sideral…

– Fofésimo! Deve ser a mesma emoção que sinto ao mentalizar os coqueiros anões do Atacama. Desculpe a indiscrição, pode parecer mentira, mas, juro, chego ao orgasmo.

– Pô, minha amiga, entendo e acredito piamente no que você está contando. Também estava sem jeito de revelar a mesma coisa, pois é exatamente o que acontece quando acaricio os antúrios gigantes do meu jardim, vivencio orgasmos intensos!

– Ai, Michele, poucas pessoas conseguiram, como nós, transitar em outra dimensão cósmica… Precisamos voltar a nos falar, estreitar nossa amizade. E o Marquito, como vai?

– Não acredito, Tamarah! Você ainda se lembra dele? Já nos separamos há quatorze anos. Depois namorei um monte, mas, de repente, me enchi de tudo. Entrei pro Daime e fiquei lá, um bom tempo. Saí e há cinco anos não namoro ninguém a nível terreno.

– Puxa! Sua história é muito parecida com a minha! Eu me separei do Betinho há onze anos, depois caí na gandaia, experimentei de tudo, até bater uma tremenda rebordosa. Então, graças ao doce aroma de um incenso, resolvi ser Hare Krishna, mas, não me sentia plena. Há quatro anos não quero mais saber de homem nenhum dessa dimensão. Estou muito feliz com o meu Face e amando os meus coqueiros anões. Eles me bastam!

– Viva amiga, é isso aí! Meus amigos do Face, meus grupos e meus antúrios me completam por inteira! Vou solicitar sua amizade, assim que chegar em casa.

– Evoé, amiga!

– Rá!